Capítulo III

“Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade que de máquinas. Mais de bondade e ternura que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá.”

Charles Chaplin

 

Quarta-feira, 10:00 horas. Normalmente não costumava acordar tão tarde, sendo que não gostava de correr no meio da multidão e confusão. Por alguma razão, estava no ritmo para dormir até bem mais tarde… se não me tivessem tocado à campainha. Um dos senhores do correio entregou-me uma carta e pediu-me para assinar um papel. Curiosa, por a carta não ser da Irlanda, dos meus avós, mas sim com um emblema muito estranho no canto superior direito, abri logo a carta. Li linha a linha. Claro que com a leitura fui percebendo que o emblema pertencia ao nosso governo e que poderia ir identificar o corpo dos meus pais até ao fim-de-semana, caso contrário enterrá-los-iam numa vala comum. Só o pensamento fazia-me perder nas batidas do coração.

A primeira coisa que fiz foi ligar para uma agência funerária, de modo a tratarem dos corpos dos meus pais e dos caixões. Era óbvio que não entendia nem muito nem pouco do assunto, não entendia nada, mas sabia que iria fazer-lhes um funeral tradicionalmente irlandês como era desejo deles. E para isso precisava de entrar em contacto com os meus avós. Ainda não sabia como, apenas sabia que era tremendamente injusto e imoral não lhes dar a oportunidade de, como eu, prestarem também eles uma homenagem aos filhos. Pousei a carta em cima da mesa. Quase a correr fui até ao meu quarto. Tomei um banho, vesti roupa interior lavada e um vestido assimétrico preto; encaracolei o cabelo, calcei umas sandálias, e fiz uma pequena maquilhagem muito leve e natural. Agarrei na carteira e chaves, olhei para o meu telemóvel e lembrei-me subitamente que a minha melhor amiga nada tinha dito. O meu coração deu um pulo.

Com toda a agitação pela qual tinha passado no dia anterior, ainda nem me tinha lembrado de verificar se a minha melhor amiga estava bem, se alguém que ela amasse ou conhecesse tinha falecido, se ela estava viva… não, também ela não! Ela tinha de estar viva! Num impulso, agarrei no telemóvel. Boa! Sem bateria. Pu-lo a carregar o mais rápido que pude. Liguei o telemóvel, coloquei o código e deparei-me com mais de 20 chamadas não atendidas da Amelie, da minha melhor amiga. Outras tantas mensagens por ler. Nem pensei duas vezes: iniciei uma chamada. Ao segundo toque, ouvi a sua voz.

– Sophia? – Estava a chorar. Oh, não! Uma lágrima começou também a escorrer-me pela cara. – Eu soube que foste presa há mais de quatro dias, pensei que não tivesses sobrevivido. Também soube dos teus pais. Os meus mais sentidos pêsames, eles não mereceram o que lhes aconteceu.

– Pois não, Amelie, não mereciam. – Comecei a chorar compulsivamente pelo telefone. Era a primeira pessoa que me estava a dar os pêsames e com a qual poderia ter o à-vontade de poder exteriorizar tudo o que tinha andado a guardar, o que era uma montanha. Inspirei fundo com as suas palavras confortantes pelo telefone. Mais calma continuei. – Tenho vivido um inferno sem eles. Aquela gente é muito perigosa. Durante os três dias em que estive na esquadra fui submetida a várias torturas. Não sei como mas o Mr. Black deixou-me sair de lá viva.

– Tu conheceste o Mr. Black?! Ainda ninguém o viu, só se sabe que é extremamente frio, violento e perigoso. O que é que… – na sua paragem repentina veio o medo de soltar o adjectivo que estava mesmo ali na ponta da língua. Mas ela não podia… Nem ela, nem eu. – ele te fez?

– Nada, simplesmente deixou bem claro que não poderia voltar a pisar a linha.

– Ok. Vem almoçar amanhã a minha casa, Sophia. Vou falar com os meus pais agora, eles estavam super preocupados contigo. Assim podes contar-me mais sobre o que aconteceu. Às 13:00 horas?

– Às 13:00 horas.

– Boa sorte amiga. Tem cuidado.

– Eu terei. Até logo.

E pousei o telemóvel em cima da mesa de cabeceira ao mesmo tempo que soltei um suspiro de alívio puro. Penso que se descobrisse que também a Amelie haveria partido para sempre, não aguentaria mais. Nós éramos amigas praticamente desde o infantário, as nossas discussões podiam-se contar por uma única mão e fazíamos tudo quase sempre juntas. A nossa amizade era mesmo daquelas que significam mais do que todos os diamantes do mundo juntos, sobretudo porque as amizades não têm um valor quantitativo. Acho que é esse o grande segredo dos sentimentos que nutrimos por uma pessoa, sejam eles de que espécie forem: não têm um preço, um valor. A grande maravilha de gostarmos verdadeiramente de alguém é essa: a pessoa não é quantificável, é acarinhada e cuidada todos os dias, como o nosso tesouro pessoal. Porque afinal, o amor não é só aquele ou aquela pessoa que nos faz arrebatar o coração e sentir coisas maravilhosas no estômago. Não, não é só. Também é a amizade e o que sentimos pela nossa família, por exemplo. Por isso mesmo, enquanto a tivesse por perto não sucumbiria.

Sendo que não havia tempo a perder, uma longa restante manhã me esperava ansiosa a um canto e a espreitar. Rezemos que não seja com uma faca atrás das costas. Empurrando o pensamento pessimista para outro canto da mente, saí de casa com o queixo erguido. A primeira coisa a tratar era ir apanhar um transporte público ou… um táxi!

– Hei!

Estiquei o braço e fiz sinal ao táxi que passava na rua. Pelo que estava a observar, os cidadãos estavam de volta ao trabalho e as ruas repletas outra vez de carros e mais carros, com donos impacientes. O senhor do táxi lá me viu e imobilizou-o mesmo a tempo de eu entrar e indicar o meu destino. Ele ainda ficou a olhar para mim durante uns segundos, o seu rosto a ficar muito branco. Não admirava, acho que se fosse eu acovardava-me muito mais.

Devido ao trânsito de morte e no meio de gritos e buzinas, algo que não mudava com a passagem do tempo, porque já a os meus avós diziam que na altura deles o trânsito era um verdadeiro pesadelo, demorámos cerca de 20 minutos a atravessar meia cidade. Normalmente gostava de ir com a cabeça voltada para a janela, de modo a focar-me nas ruas e nos monumentos pelos quais passávamos, mas daquela vez ignorei completamente pontos turísticos como o imponente coliseu e a torre piza. Uma vergonha, eu sei. Estava mais concentrada nos meus pensamentos e mãos que mexia nervosamente. Com a chegada ao meu destino, paguei ao taxista e segui em direção ao edifício.

Entrei na esquadra que anteriormente era a polícia e caminhei até ao balcão de atendimento… pelo menos até ser agarrada pelo braço.

– Olhem se não é a rapariga corajosa que ofendeu o Mr. Black. Olhem só para esta coragem toda ao regressar aqui. Saudades nossas? – Reconheci de imediato o seu rosto. Aquele tinha sido o militar que tinha usado um comando para mandar choques elétricos nas minhas algemas. O mesmo sorriso trocista balançava nos seus lábios. – Não respondes meu doce?

A sua outra mão seguiu até à minha cara. Fechei os olhos à espera de uma estalada que nunca veio. Os seus dedos e costas da mão iam acariciando o meu rosto continuamente, num toque suave. Tentei escapar ao seu toque que apenas me estava a enojar, mas um aperto forte no meu braço parou-me.

– Linda menina. Uma jovem tão bonita a querer meter-se em sarilhos.

– Largue-me…

– Não me parece.

– Mr. Smith!

O que aconteceu a seguir foi demasiado rápido. Num momento estava a ser tocada no rosto indesejavelmente, no outro momento a seguir fui liberta do aperto no braço que me impedia de escapar, e afastada de quem pelos vistos se chamava Mr. Smith. Por sua vez o militar foi agarrado pelo colarinho da farda preta, por nem mais nem menos do que o próprio Mr. Black.

– Posso saber o que é que se estava a passar?!

– Senhor eu… – Nem teve oportunidade de acabar de explicar-se, não que tivesse grande justificação, antes de ser empurrado para o chão.

– Nunca mais se atreva a tocar nela, você ou qualquer outra pessoa. Ouviram bem? – Gritou bem alto, assustadoramente, fazendo-me encolher, para que todos os presentes ouvissem. Após a sua explosão, virou-se para mim. – Miss Cain, acompanhe-me.

Sinceramente, depois daquilo a que tinha assistido, isto é, um militar a ser empurrado para o chão, não ousei questionar aquela ordem. Sem fazer barulho, segui o Mr. Black até ao que me pareceu um escritório. Ele puxou-me uma das cadeiras dispostas em frente da secretária e foi-se sentar atrás da mesma, na cadeira de executivo. Ficou a olhar para mim, com um ar ainda irritado, que foi passando para sério apenas. Enquanto ele não me fizesse nenhuma pergunta, não falaria. Tinha ido ali com um objetivo e, no final, tinha acabado ali sentada em frente do homem mais perigoso do país. E eu que só queria pedir uma autorização para a vinda dos meus avós para a Itália.

– Miss Cain, posso saber o que é que está aqui a fazer?

– Pode, Mr. Black. Eu vim aqui para pedir uma autorização. Os meus avós vivem no estrangeiro, na Irlanda, e depois da morte dos meus pais na sexta-feira passada, gostaria imenso que eles pudessem ajudar-me a organizar toda a cerimónia fúnebre e estivessem presentes. Eu sei que é proibida a vinda de pessoas do estrangeiro, só que… – engoli em seco, contive uma série de lágrimas. Estava quase no ponto de não aguentar mais e começar a chorar novamente. – eles são os pais. Acha que poderia abrir essa exceção?

Não respondeu logo. Levou a mão ao queixo e, com um ar pensativo, ia esfregando a pele do queixo num movimento repetitivo.

– Os seus avós são Irlandeses, é isso?

– Sim.

– Eu dou essa autorização, mas isto é um caso único. Vou comunicar com o governo irlandês a esse respeito e com a nossa companhia aérea nacional. Quando ficar uma data definida eu entro em contacto consigo.

– Muito obrigada, Mr. Black. Estava com receio que dissesse que não.

– Mas não disse. A próxima vez que precisar de alguma coisa, que espero bem que não, faça o favor de não vir até aqui, à esquadra. Contacte-me por este número. – Esticou um cartão pela mesa para eu agarrar. – Em relação ao que se passou com o Mr. Smith, iriei certificar-me que ele não a volte a incomodar, nem ele nem outro homem. Está a compreender o que eu estou a dizer, Miss Cain?

– Acho que sim.

– Ainda bem, porque também não quero que se aproxime de nenhum. – levantou-se da cadeira, tirando o casaco do fato, deixando-me de boca aberta com aquilo que tinha acabado de dizer. Ele não queria que eu me aproximasse de nenhum homem? Que diferença é que isso lhe fazia? Não era ilegal, pois não? – Venha almoçar comigo.

– Desculpe, mas o senhor não me pode pedir uma coisas dessas.

– Não é um pedido, é uma ordem.

– Porque é que eu haveria de o fazer?

– Porque eu disse. Não seja teimosa. Eu salvei-a nem há quinze minutos de uma situação nada agradável, não queira arranjar sarilhos comigo. Venha almoçar.

– Não tenho fome. – Cruzei os braços à frente do peito. – Mr. Black, por favor…

– Miss Cain, não me desafie – Esticou a mão com a palma da mão virada para cima. Coloquei a minha por cima da sua hesitante e levantei-me da cadeira lentamente. Já em pé entrelaçou as nossas mãos. – Vamos almoçar e depois eu vou levá-la a casa.

– Não vou estar a ocupar o seu tempo? Quero dizer, deve ser extremamente trabalhoso gerir o novo regime que nos impôs. Tenho a certeza que as suas horas a planear torturas, mortes, perseguições e outras coisas são mais interessantes e importantes, pelo menos do seu ponto de vista. – Largou-me a mão, afastou-se um passo e virou-me as costas, a mandíbula ressaltada. – Já parou para pensar que almoçar com a pessoa que foi responsável pela morte dos meus pais é a última coisa que quero fazer? Oh, espere! Esqueci-me, você não sente compaixão, aliás você não sente nada, nunca, não é?

– Miss Cain, cale-se antes que volte a perder a cabeça. Ontem parei, hoje pode não ter a mesma sorte. – Virou-se para mim, a mesma expressão colérica do dia anterior antes de me apertar o pescoço. É, eu lembro-me perfeitamente disso. – Peça desculpa e mantenha-se em silêncio até eu fazer alguma pergunta.

– Pedir desculpa… interessante. Eu é que devo pedir desculpa? Sabe que mais? Se quiser pode-me apertar o pescoço, pode sufocar-me, pode matar-me com as suas próprias mãos. Que motivos tenho eu mais para viver neste momento? Toda esta dor alojada no coração desaparecia de uma vez. Toda esta agonia, os pesadelos de noite e lágrimas derramadas sobre os lençóis antes de adormecer. Essa sua ameaça, muito sinceramente, não me preocupa. Eu odeio-o, odeio como nunca odiei ninguém. O senhor é um tirano sem sentimentos, covarde e assassino.

– Chega! – Gritou mesmo na minha cara, conectando a sua mão logo a seguir na minha face direita com tanta força que me fez cair no chão. Involuntariamente tapei a ardência com a mão chocada pela sua reacção. Era verdade de que de si esperava tudo, tudo menos… o que tinha acabado de fazer. – Levante-se!

Haviam poucas coisas que me faziam arrepiar e ter medo e, dentro delas, estava cada vez mais aquele homem obstinado. Os seus gritos faziam-me sempre tremer e reagir às suas ordens imediatamente, porque embora tenha acabado de dizer que não me importava de morrer, essa era a maior mentira que alguém podia ouvir-me contar. Claro que me importaria de morrer, claro que tinha medo que o Mr. Black me matasse… mas não queria demonstrá-lo, falhando cada vez mais nessa tarefa. Foi assim que coloquei as mãos a tremer no chão, a servir de apoio, e levantei-me tão rápido quanto era-me possível. O meu olhar incidiu-se directamente sobre o seu rosto… enigmático, oscilante e algo mais que me escapava. Um suspiro pesado escapou por entre os seus lábios rechonchudos.

– Miss Cain, vamos almoçar. – E aquilo não tinha, de forma alguma, espaço para discussões ou livre-arbítrio, era simplesmente uma afirmação, uma declaração, um facto. Tal como antes, estendeu-me, mais gentilmente, a mão virada para cima. E, se antes houve hesitação, agora colocava-me a minha sobre a sua, deixando o calor equilibrar a temperatura das nossas mãos ligadas. O seu olhar também ficou mais calmo e pacífico. Senti que podia, aos poucos e poucos, começar a descodificar o mistério à minha frente… ainda que o mistério fosse muito mais profundo e complexo do que o normal. Mais uma vez, a medo, deixei-me ser guiada até fora da sala, fora da esquadra e para dentro da mesma SUV que no dia anterior, daquela vez com destino parcialmente desconhecido. – Quais são os seus planos para esta tarde?

– Eu… eu não tenho ainda planos para este tarde, mas…

– óptimo. Vai passar a ter. Hoje à tarde, como todas as restantes tardes, trabalharei através do meu escritório em casa e, portanto estarei com maior disponibilidade para podermos debater e, repare bem disse debater não discutir, alguns assuntos por esclarecer entre nós. Não conte em jantar e dormir em sua casa.

– O quê?

– Miss Cain, se você continua a questionar tudo o que eu digo os nossos problemas vão ser ainda maiores, simplesmente faça o que eu digo.

– Eu não sou nenhuma boneca de trapos… – deixei escapar baixo entre dentes, no momento que a sua concentração estava em estacionar o carro no modo não automático. Sim, por incrível que parecesse, independentemente da tecnologia, ainda havia muitas pessoas que preferiam conduzir do modo tradicional, o que deveria de ser o caso do Mr. Black. – Um dia há-de me explicar a sua fixação por fazer da minha vida num inferno. Espero que saiba que amanhã, ás 13 horas terei que estar em casa da minha melhor amiga para almoçar, coisa que muito amavelmente peço que me deixe fazer.

Sim, estava a ser irónica. Aparentemente, tudo o que fazia tinha que ser controlado pelo encéfalo daquele ser humano.

– Não pense que não denotei o seu sarcasmo, Miss Cain. E não, não impedirei que vá almoçar com a sua melhor amiga. Chegámos, estou à sua espera. – Aceitei (sem outra opção) a sua ajuda e saí do carro. A sua mão nunca chegou a largar a minha no caminho até à entrada do restaurante… uau! Aquilo era… era o restaurante Roof Garden do hotel Forum? Meu Deus, eu nunca tinha tido a oportunidade. – Está tudo bem? Está um pouco pálida. Se quiser podemos almoçar em minha casa.

– Não… – A minha voz soou tão fraca e surpreendida que nem me reconhecia no tom. – Tem a certeza que é aqui que me queria levar a almoçar?

– Claro que tenho, é aqui que venho almoçar todos os dias.

A sua resposta fria e indiferente fizeram-me perder um pouco o entusiasmo. Mal entrámos no hotel, deu para perceber o quão luxuoso e bonito era o local, algo que passava totalmente ao lado ao homem ao meu lado, já que andava rápido até ao balcão onde trocou meia dúzia de palavras com a recepcionista. Por sua vez, sem demoras, ligeiramente corada e atrapalhada, a jovem que deveria ser poucos anos mais velha do que eu, encaminhou-nos até a um outro senhor que se encontrava junto do elevador. Seguimos para dentro do elevador sozinhos. O elevador era enorme, com uma música de fundo calma e do tipo Disney, que tornou os breves segundos numa imensidão de segundos. A espera compensou… em larga escala. A sala, ao ar livre e com uma vista única e maravilhosa para o Fórum Imperial, em frente ao Fórum de Nerva. A sala estava estranhamente vazia e um conjunto de cinco empregados esperavam-nos em fila, lado a lado. Um dos empregados, um senhor de cerca de cinquenta anos deu-nos as boas tarde simpaticamente e conduziu-nos até a uma das mesas mais próximas do terraço e com a melhor vista. Uma viva e vibrante rosa vermelha, restrita a um pequeno vaso de porcelana branco, enfeitava o centro da mesa quadrada, com também toalha e loiça (em porcelana) branca. Apenas as cadeiras eram de madeira, castanhas portanto. O senhor, amável, ainda moveu-se para me puxar a cadeira, porém o Mr. Black fez-lhe sinal que não era preciso e que poderia-se retirar, num tom indiferente – um tom que me chocou. O senhor não merecia ser um dos muitos alvos da personalidade do autoritário novo governador por não sei quantos anos. Assim que me sentei e ajustei melhor a cadeira, apaixonei-me pela vista gloriosa e magnífica. Não havia hipótese que tiraria os olhos daquela preciosidade.