Capítulo V

“É a própria mente de um homem, e não seu inimigo ou adversário, que o seduz para caminhos maléficos.”

Buda

– Angelo… – Ups! O tempo que anteriormente me restava tinha-se reduzido a cinzas. E o seu tom não era nada animador, era um tom sombrio. – Não tens aparelho auditivo?

– Desculpe?

– Uma interrogação… – Foi encostando o seu corpo até ficar completamente prensado entre o calor do seu corpo e a fresca madeira da porta, as mãos ao lado seguradas pelo pulso. – Este escritório era e é para ficar do teu alcance por alguma razão. Eu não te quero no espaço onde faço negócios! Qual era a tua intenção ao entrares? Não me mintas, já agora.

– Eu só queria saber mais sobre a Cosa Nostra.

– Uma curiosidade espontânea, portanto. Deduzo que nada tenha a ver com o ritual de iniciação do qual ouviste falar.

– Por que é que não me pode explicar? – Virou-me para si, agarrando nas minhas mãos desta vez com carinho e beijando-as com uma suavidade que se assemelhava a seda a esvoaçar pela minha pele. – Que diferença vai fazer? O que li sobre a máfia foi o suficiente para estar preparado para qualquer coisa que vá ouvir de si ou ler das páginas de um livro.

– A diferença é que tu não podes ter conhecimento do que se passa na Cosa Nostra, meu querido. Por mais que eu confie em ti e não se passe nada de extraordinário no ritual de iniciação, deves ter lido o quanto basta para perceber que as nossas organizações têm estruturas hierárquicas e regras muito rígidas. Mesmo sendo o Don, não te posso contar. Mais do que isso, devo evitar que tal aconteça.

– Ao negar-me isso também me está a negar ao conhecimento da pessoa que você é.

– Nada que não faças, princesa. – Colocou-me um cabelo no lugar, olhando-me com ternura e sorrindo vitorioso. – O mistério não me circunda só a mim. Da mesma maneira que podes escolher entrar naquela sala sem a minha autorização, eu posso abrir a pasta de todo o teu passado.

– Isso é chantagem. – Disse com um pequeno beicinho de criança. Ele recuou um passo, cruzou os seus dedos com os meus e levou-me até ao exterior da casa. – Para onde vamos?

– Vamos fazer juntos aquilo que querias fazer sozinho, mas que a tua curiosidade não deixou. – Olhei-o confuso, com o cenho franzido e parando-nos. Ele revirou os olhos e continuou a avançar. – Eu vi-te a olhar para o jardim para lá dos campos de golfe e de ténis. A observação é um dos meus fortes.

– Não sabia que gostava de jardins.

– Mas gosto. Ainda temos um longo caminho a percorrer até eles, mas dá tempo para te dar a conhecer um pouco de mim. Esta casa pertencia aos meus pais, eles mandaram-na construir à semelhança de um palácio que visitaram um dia em Portugal, o Palácio de Monserrate. Um dia teremos de o visitar, é lá que se capta a verdadeira magia do romantismo. A minha mãe, apaixonada por botânica convenceu o meu pai a ter um segundo jardim, um jardim construído por ela. O meu pai, por mais austero que às vezes fosse acedeu ao seu pedido. Eles amaram-se perdidamente por muito tempo, pelo menos até ao tempo o permitir. O meu pai era um grande empresário, o dinheiro era um luxo para muitos, menos para nós. De qualquer modo, como a minha mãe não trabalhava e tinha-se formado em Biologia e Botânica, todos os dias dedicava-se a este jardim como se fosse um segundo filho. Gostava que a tivesses conhecido: uma mulher virtuosa, linda… com uma personalidade muito parecida contigo. O seu espírito permitiu que erguesse um jardim que considero o mais bonito que já vi. Não há nada nele para além de coisas vindas da terra… por muito tempo achou que sermos todos vegetarianos em casa seria bom, o meu pai e eu não concordámos. Na altura a resposta foi algo do género “Temos cara de roedores?”.

– Pareciam uma família feliz.

– E fomos durante muitos anos.

– O que é que aconteceu?

– Algo que pertence ao mistério que só te conto quando tu me contares os teus segredos e passado todo. – Fiz novamente beicinho. – Queres partilhar?

– Quero? Eu não sei, eu… eu quero contar-lhe mas não quero voltar a reviver aquelas memórias. Penso que seja algo partilhado. – Acenou que sim, cessando o seu sorriso. – No entanto… a minha curiosidade é demasiada. Os meus pais morreram num acidente de viação quando eu tinha quatro anos. Eu lembro-me de tudo como se fosse hoje, como se estivesse a acontecer mesmo aqui, à minha frente. Foi um acontecimento que me marcou para sempre, por isso é que eu sofro de um Transtorno de Stress Pós Traumático e lidei mal quando você falou daquele modo dos meus pais e quando me trancou no quarto. Eu senti-me preso, como se estivesse naquele carro. Eu revivi naquelas horas, segundos de horror repetidas vezes.

– Angelo… – Parou, agarrando-me nos ombros. – Quantos pedidos de desculpa não serão suficientes? Isso é horrível… eu fiz-te passar por coisas terríveis sem pensar nas consequências e ter em atenção os sinais que me davas.

– Você não sabia, não que isso sirva de desculpa, mas você não sabia nada sobre o meu passado. No testamento dos meus pais estava que caso acontecesse alguma coisa a ambos, eu deveria ser entregue aos cuidados do frade Giovanni, no convento de Ripa Grande. O frade Giovanni e os meus pais eram muito amigos, os melhores dos amigos. Lá, no convento, fui recebido com os braços abertos. Foram-me dados todo o amor e carinho e conhecimento possível. O frade Giovanni é como um segundo pai para mim… Ensinou-me tantas coisas! E os restantes irmãos acolheram uma criança como tal, oferecendo-me um sentido de família grande e unida. Eu fui muito feliz apesar das circunstâncias e dos momentos de grande aflição por que passei. Dos meus pais soube tudo o que me era possível conhecer e as minhas memórias não permitem que minta ao dizer que eram as pessoas mais importantes para mim. Há momentos que nós, pela felicidade que nos proporcionam, independentemente da idade, não conseguimos apagar. E você? O que fez alterar o panorama de quadro de família feliz?

– A pior das coisas, princesa. O meu pai apaixonou-se pela mulher do Don da Cosa Nostra, já eu estava a estudar na universidade Gestão. Uma das regras da máfia é jamais, em caso algum, envolveres-te com a mulher de um membro, quanto mais do Don. Eu e a minha mãe não sabíamos mas o meu pai, nos seus grandes negócios, foi atraído para esse mundo e era um dos grandes amigos do Don Marcello. Ele teve um caso com essa mulher durante alguns meses, pelo menos até ao Don Marcello descobrir e armar uma cilada. Num dos encontros entre o meu pai e a mulher dele, ele matou a sangue frio ambos. Quando eu e a minha mãe soubemos foi um choque, principalmente para ela. A minha mãe entrou numa grande depressão e passado uns meses, quando já tinha acabado o curso ela suicidou-se, deixando apenas uma carta para trás. Eu vivi momentos de desorientação grandes, envolvi-me em drogas e tornei-me um alcoólico, até perceber que o problema estava noutro sítio… Eu odiava aquele homem com todas as minhas forças. O Valentino e eu conhecemo-nos na faculdade, porque calhou sermos colegas de quarto. Quase de imediato estabelecemos uma grande amizade. Ele ajudou-me no plano que arquitetei para me vingar do homem que me deixou órfão… – Os seus olhos brilhavam de ódio. Eram duas orbes… mais nada de humano se podia descrever. – No momento em que acabei o curso e assumi a presidência da empresa do meu pai e o meu sucesso se tornou público, o Marcello fez um ataque falhado contra mim, quando um dia estava a chegar a casa. Como eu já havia previsto a sua atitude, tinha uma série de homens prontos a atacar e, se fosse preciso matar. Mas eu matei-o… matei-o com as minhas próprias mãos. Toda uma hierarquia se desfez naquela noite sangrenta. Depois, ao amanhecer eu tornei-me no Don da Cosa Nostra, fazendo do Valentino o meu braço direito. Criei uma nova hierarquia, com pessoas em quem confiava de olhos cegos – forte.

– Continua a presidir a empresa?

– Sim, jamais deixaria para trás o legado que tem passado pela minha família. Mesmo que o meu pai não mereça esse esforço, eu faço-o em honra da minha querida e adorada mãe.

– A sua mãe não iria querer que se vingasse…

– A minha mãe suicidou-se! Por causa daqueles dois homens! – Largou-me a mão violentamente, obrigando-me a recuar e bater contra o primeiro dos três arcos em pedra do jardim, feito de rosas trepadeiras vermelhas e brancas. – Eu honrei a memória dela!

– Tudo bem, mas o seu raciocínio não deixa de estar errado. Você pode desistir dessa vida de mafioso e dedicar-se por completo à de empresário.

– Não… Angelo. E é por isso que não te explicarei mais nada sobre a máfia, tu não compreendes as minhas motivações. – Tentei falar, mas ele aproximou-se e parou-me beijando-me a bochecha. – Eu não te quero perder.

– Pietro… eu…

Lá estava de novo aquele aparelho a interromper uma conversa importante. Seria possível termos um minuto de sossego?

– O filho da mãe!

Mandou um murro contra a parede, atingindo pelo caminho algumas rosas, e afastou-se sem retirar o olhar do meu. O seu olhar era como o que tinha visto há pouco… aquele era o tipo de olhar que me iria fazer pôr a andar dali para fora antes que desligasse a chamada e me apanhasse. Desviando-me a uma velocidade vampírica comecei a correr pelos jardins imensos, sem um destino concreto (Eu não tinha mapa!). Atrás de mim, a vociferar como o Monstro nos livros da Bela e o Monstro, tinha um Chefe de máfia a gritar simultaneamente comigo e com o Valentino. A certa altura deixei de o ouvir, o caminho já não era a direito e eu tinha escolhido o caminho da esquerda. Encontrei uma série de Chuvas Douradas, uma árvore, antes de encontrar um caramanchão com uma estrutura de madeira a suportar as trepadeiras. Subi as escadas, também elas de madeira, segui em frente e desci pelas outras escadas gémeas. Corri durante mais uns minutos até encontrar um pequeno curso de água, com pedras enormes nas margens e alguns fórmios (uma plantas aquáticas). Como não sabia a profundidade do curso de cerca de três metros de largura, decidi passar por umas pedras colocadas para se passar para a outra margem. Com muito cuidado, e sorte por as pedras não estarem revestidas de musgo, passei para a outra margem. Foi a essa altura que me virei para trás e vi o Pietro a tirar o casaco e a camisa num instante antes de atravessar o lago e gritar para eu parar. Eu não o fiz. Segui em frente, por um caminho de pedra e denso em árvores. Deu para perceber que passava por medronheiros de porte arbóreo, azevinhos e sobreiros, assim como araucárias e palmeiras. Quantos anos mesmo, a mãe do Senhor Bragatti, tinha ali investido?

Se estava cansado? Muito não seria um eufemismo, o ar faltava-me como a um peixe fora de água. Eu sentia dor de burro, sentia o peito gelado, os músculos das pernas doíam, os pés eram constantemente picados… Aliás, estava tão cansado que, no momento em que tive de saltar por cima de um pequeno tronco, no meio do caminho, as energias falharam-me e tropecei. Antes de cair de cara no chão uma mão quente impediu-me, puxando-me para trás. Tentei libertar-me das suas correntes de braços, com golpes sem sentido e desesperados. O frade Giovanni tinha razão, devia de ter praticado algum tipo de Arte Marcial, no momento seria certamente útil. O meu instinto foi tentar alcançar o sítio onde lhe doeria mais, mas depressa fui posto de joelhos contra as pedras. Umas algemas prenderam os meus braços e uma mão fez pressão nas minhas costas, obrigando-me a ficar com o tronco no chão. Ele andava sempre com aquilo nos bolsos?

– Quieto! Qual foi a tua ideia? Sabes quantos hectares tem este jardim? – Gritou junto dos meus ouvidos. Revirei os olhos e virei a cara para o outro lado. – Não, claro que não. Porque sabias que mal te apanhasse nunca mais te perdoaria!

Perdoar? Oi? O que é que havia a ser perdoado? Tentei olhá-lo, mas mais uma vez obrigou-me a ficar com o tronco no chão. Até bati com o queixo, mas essa dor era completamente inócua ao lado da dúvida que se tinha instalado no meu cérebro.

– O nome Joe Smith é-te familiar? – Joe Smith? Claro que sim! Era o segurança simpático do convento… o segurança que tinha declarado o seu amor por mim. Independentemente de tudo era um jovem rapaz sério e muito amoroso. O contrário da besta que gritava comigo! – Angelo! Responde!

– Conheço, ele era segurança no convento… mas por que é que você está tão…

– Chateado? Porque o Valentino acabou de pesquisar o passado desse tal Joe e descobriu que era segurança no Convento de Ripa Grande, o convento onde tu estavas. Como achou demasiada coincidência alguém que quer entrar na máfia ter um passado em comum contigo, decidiu trancá-lo simpaticamente num dos nossos armazéns de interrogatório. Sabes o que é que ele disse? Que vinha resgatar-te de mim! Como se isso fosse possível! Como se mais alguém me tirasse aquilo que eu amo! Só me pergunto: o meu inocente Angelo sabia?

Oh não… não, não. Estava completamente lixado. Eu sabia que o Mr. Smith estava apaixonado por mim, mas quando disse que esperaria, não estava com a mínima expectativa que, no entretanto, descobrisse que tinha sido raptado pelo Senhor Bragatti. Muito menos pensaria que chegaria ao ponto de entrar na Cosa Nostra…

– Não! Eu não sabia nada! Eu só sabia que ele estava apaixonado por mim! Ele confessou os seus sentimentos pouco tempo depois de receber a sua troca. Mas eu não alimentei nada, eu até lhe disse que o meu destino era seguir a vida de frade. A partir daí não sei mais nada. Eu juro…

– E eu devo acreditar em ti porquê?

– Porque estou a dizer a verdade.

– A verdade. Será? Eu não acredito… Nem uma única palavra que dizes deve ser verdade. Tu e aquele ser desprezível já se relacionavam no convento, por isso é que ele veio atrás de ti! De alguma forma tu disseste-lhe que me tinhas conhecido. Sabes o que é que me apetece fazer? Deixar-te aqui.

– Não, por favor…

– Tu nem sequer mereces isso! Não depois de eu te contar o meu passado! Nos jardins da minha mãe! – Riu-se como um maníaco. – Tu vais ser transportado para uma das masmorras que eu mandei construir debaixo da casa e lá terás o tratamento que mereces. Terás o mesmo tratamento que o teu amante.

– Do que é que está a falar?

– Eu? – Riu-se novamente, parecendo o Joker de um filme de terror. Levantou-me e carregando-me ao seu colo, afastado do seu apaixonante e tentador tronco nu. – Neste momento o Valentino já o deve ter acorrentado a uma das paredes das nossas masmorras de algum sítio bem longe daqui. Depois disso vou deixar o meu melhor amigo se divertir, torturando quem tu amas. Ele vai sofrer cada segundo, sem que o mate, ele irá viver muitos anos a saber que sou eu que te tenho. E para que ele tenha noção… os homens que mandou com ele eram tão patéticos que se renderam logo à procura do perdão que não encontraram. Por isso não iremos ver o Valentino durante uns tempos, esta é a sua especialidade e eu acho que ele merece este presente. Quanto a ti… irei deixar-te na masmorra de que te falei a noite inteira, para poderes refletir acerca do que aconteceu. Na manhã seguinte, irei acordar-te com uma triste notícia… Depois, as regras vão mudar drasticamente. Todos os meus desejos, mais profundos e límbicos se tornarão realidade. Em primeiro lugar, farei um comunicado à máfia que casarei contigo e depois de os meus homens saberem, arranjarei maneira de as revistas de fofoca descobrirem. O nosso casamento será daqui a umas duas semanas, no máximo. Disso tratarei eu, o resto será responsabilidade tua. As únicas coisas que eu farei serão: tratar dos convidados, do local, da data e da hora. O resto terás que organizar, por isso já tens que fazer além dos deveres comuns escolares que te costumo atribuir diariamente. Na noite do casamento, na nossa noite de núpcias, vais entregar o teu corpo virginal. Disso não duvido ser uma verdade.

– O quê? Não!

Bati-lhe no ombro, tentando novamente sair dos seus braços. Como se nada fosse, praticamente asfixiou-me contra o seu peito musculado e transpirado, a ferver de luxuria e do dia intenso de sol. A sua técnica foi eficaz e, de algum modo, o cheiro a transpiração não me incomodava, até me deixava novamente com aquela sensação prazerosa a corroer cada centímetro de pele minha, até à região mais a sul. A todo o custo tentei pensar noutra coisa até me lembrar de dizer o Pai Nosso muitas vezes seguidas e imaginar a imagem de Jesus Cristo. Resultou.

– Pareces aquelas velhotas, nas igrejas, a murmurar orações.

– É o que estou a fazer! Já ouviu as coisas que está a dizer? Casar? Fazer amor…

– Porque te sentes atraído por mim e o simples cheiro de masculinidade estava a começar a deixar-te excitado. É por isso que vamos consumar o casamento nessa noite. Eu irei fazer amor contigo tantas vezes nessa noite que o próprio dia, tal como tu, não se vai querer levantar. Eu tenho imaginado essa noite distante, mas agora imagino-a mesmo aqui… quase que a consigo visualizar como um filme do nosso futuro.

– Por favor… não me deixe naquela masmorra, sabe o que isso irá causar.

– E eu terei piedade, porque…

– Porque eu não aguento reviver aqueles momentos. Eu prometo, esta noite, dormir ao seu lado e tratar de toda a casa durante uma semana.

– Não, tu irás dormir ao meu lado a partir de hoje e irás tomar banho comigo. Vais deixar-me banhar esse corpo glorioso, com toda a calma que merece, com o meu gel de banho a perfumá-lo. Depois secar-te-ei com uma das minhas toalhas fofas e irás dormir com o meu cheiro impregnado, porque dormirás apenas de boxers e com a camisa que usei hoje. E vais deixar-me beijar esses lábios.

– Tenho outra hipótese? – Murmurei contra o seu peito. Ele apenas se riu e beijou o meu pescoço rapidamente, tão rápido que pareceu uma pena a passar pela minha pele.

– Não. Já aqui estamos.

Olhei em redor e vi uma casa de banho muito semelhante à minha. A banheira que parecia mais um jacuzzi, ou talvez fosse mesmo, enchia-se de água fumegante. Ainda comigo nos braços, fechou a torneira. Com cuidado, pousou-me no chão e pôs as mãos na barra da minha t-shirt. Não podendo discutir os seus actos, acenei que sim e levantei os braços. Logo a seguir de retirar o tecido da parte de cima, ajoelhou-se e foi deslizando as calças para baixo, em conjunto com os boxers, a uma velocidade lenta que me fez corar. O seu olhar nunca abandonou o meu, a sua fúria estava arrecadada num canto, por enquanto tudo o que preenchia o seu cérebro era o desejo carnal. Senti-me estranhamente exposto quando também as calças e os boxers estavam no chão, por isso com as mãos tentei tapar o meu pénis semi erecto. O Senhor Bragatti, afastou as minhas mãos e levantou-se para também ele começar a despir-se, não que faltasse muito A única diferença foi quando desceu os seus boxers e eu desviei o olhar, tapando a minha visão com uma das mãos.

– Sabes que o acabarás por ver, certo?

– Prefiro que não seja por agora… por favor, vire-se ou entre na água.

– Claro, meu anjo. Já estou a entrar na água. – A comprovar que o que dizia era verdade, ouvi o som da água a salpicar, talvez meia dúzia de gotas. Com calma, não fosse aquele homem enganar-me, tirei a mão da frente dos olhos e vi que estava deitado no jacuzzi, já coberto de bolhas de sabão brancas, a tapar todo o seu corpo. Caminhei até lá e entrei, a água quentinha, ficando de frente para o Senhor Bragatti. – Porque não te vens deitar ao meu lado?

– E o senhor era capaz de manter as mãos para si? – Levantei o olho, ele fez um pequeno beicinho, afirmando com falsa inocência que sim. Com jeitinho, avancei até me deitar ao seu lado. – Em relação ao casamento…

– É definitivo! – Interrompeu-me com um grito feroz e a cara transpirada, causada pela temperatura elevada da divisão. – Não vou voltar atrás na minha palavra. Não há nada que prove a tua inocência a não ser a tua palavra.

– Que devia de ser o suficiente…

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